Terça-feira, Outubro 28, 2003

mudou-se

Terça-feira, Setembro 16, 2003

Quinta-feira, Setembro 04, 2003

Releitura da solidão das pessoas nessas capitais

Ingrata espera que o dilacera.
De mãos atadas, implode em ruínas
de palidez morna, pela escotilha, fitando o veleiro.

É vivo o teu sangue, socorre anemia
e de claustrofobia agoniza o teu gozo,
sabendo do poço e do trono que vaga no dia em que parte.

Cansado e ferido, deitou ao relento.
Lembrou-se que é pó e ao pó voltará
e, pra se adiantar, mais um gole, conhaque e costela de porco.

E teve virtudes que foram esquecidas
com o pó que cheirou e o cantil que secou.
E então, novamente, sem teto e sem dentes, Ausência se vai.

Sincero é o olho do cão que vadia,
pleiteando o almoço: um osso ou carcaça
d'algum bicho fraco que espalhou carbono no preto do asfalto.

Anda, expande teu ser, primavera
que corre e esperneia, que encerra
e vagueia por dentro da mente de alguém que morria.

Sinais de melhora, neon verde-oliva.
Tremulam eletrônicos, pulsos vitais.
Reage o enfermo, impulsiona essa força que Ausência já vem.

Trazendo consigo um bálsamo azul,
tocou-lhe a fronte, vestiu-lhe de renda.
Mas pobre diabo, não tinha preparo, morreu engasgado com bala de menta.

Amargo aperto, relendo mensagens,
sentindo o passado, chorou esta tarde
- solidão e luz artificial não fazem bem a um ser humano.

Terça-feira, Setembro 02, 2003

meia noite e doze

Quando eu era bebê, o peito da minha mãe e fraldas limpas eram a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 4 anos, estar em cima dos ombros do meu pai era a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 7 anos, giz de cera e papel branco eram a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 9 anos, um vídeo-game era a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 12 anos, ter 50 cm a mais de altura era a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 15 anos, passar no vestibular era a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 17 anos, o sorriso de uma menina era solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 20 anos, um bom emprego era a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 21 anos, fazer novos amigos e me conheçer de verdade era a solução de todos os meus problemas.
Quando eu tinha 22 anos, um pouco mais de dinheiro era a solução de todos os meus problemas.

Algumas dessas coisas aconteceram quando foram necessárias, trazendo satisfação momentânea.
Outras quando já não eram tão urgentes, provando que nem eram, de fato, tão essenciais.
E outras nem aconteceram, o que me faz pensar que atrás dessa "objetividade" tem um cara que ainda não sabe ao certo o que quer (talvez apenas o que não quer).

Coitado do Sr. Alfredo, parece que acreditou na mentira que seu pai contou.
Estudou, ralou pra caramba, conseguiu um emprego legal, casou, já tem três filhos e um cachorro e acha a vida cinzenta.

a vida é cinzenta para quem tem os olhos embotados de cimento e lágrimas e, com medo de tropeçar no ar, fica sentado no trono do apartamento com a boca escancarada e cheia de dentes esperando a declaração do imposto de renda chegar...

Terça-feira, Agosto 26, 2003

A bença, mãe Mistura?

Acabei de chegar do cinema.
Vi esse filme na sessão de arte com Bá e Th.
Bá disse que ninguém pode falar nada de filmes assim.
Eu só vou falar que achei meio entediante e espaçado demais.
(e olhe que gosto de filmes espaçados)

Mas o ponto é que eu perdi o final do filme.

Crente que tava acompanhando a história bem direitinho, dã e dã, e tudo era muito óbvio e está muito chato.. modos que me distraí e fiquei olhando pros ar-condicionados, divagando, pensando em num-sei-o-quê, foi quando olhei pra frente e a tela tava preta, subindo os créditos.
Hein? heh-heh.. :) Ok, ok. Tá.

E pra acabar de dar certo eu descobri que não tinha captado o principal simbolismo do filme.




p.s.:ah, foi, lembrei... eu não me distraí com os ar-condicionados. Me distraí porque, na penúltima cena, tocou uma música no meu tocador cabeçal e eu me empalhei ouvindo - sim, eu disponho de som ambiente no juízo, percebem?

Bang! Bang! Maxwell's silver hammer
came down upon her head
Clang! Clang! Maxwell's silver hammer
made sure that he was dead
Silver hammer man



podem me chamar de tapado, se quiserem.

Segunda-feira, Agosto 18, 2003

Jack White Brainwashing Inc.

As coisas seguem assim numa manhã de segunda (e até que isso não é ruim):
eu penso num problema, num dos muitos que tenho nos 5 saquinhos de 1 ton. cada, penso-penso-penso, refilto-reflito-reflito, daí eu canso e começa a tocar aquele riff de Seven Nation Army na minha cabeça, e os pés lá, marcando o compasso.

Taôôôn, Tun-Dân, Tân-Tun-Taôôôn, Taôôôn, Taôôn, Tun-Dân, Tân-Tun-Taô-Tââ-â-aôôn.

E pra quem teimou que isso era um baixo e não uma guitarra em tom grave, ó, :þ

Quarta-feira, Agosto 13, 2003

Era uma vez o Amor.
Um Amor forte, corado, que, nutrindo-se de si, amadureceu e irradiou verdade.
E tal era a grandeza do Amor que não fazia sentido somente "ser o amor". Almejava espalhar-se pelo firmamento, de forma que todos pudessem sentí-lo e que a todos pudesse sentir.
E de um sentimento tão afetuoso, nasceu esse lugar.
Um lugar lindo e pacífico, onde não havia poder maior que o Amor e não havia nada que o Amor não pudesse.
O Amor, que já era grande, agora era dois. E de dois, virou três, quatro, cinco e o Amor multiplicou-se pelo infinito.
E, assim sendo, houve perfeição.
 
Um dos amores, um dos milhões espalhados pelo infinito, podendo escolher, fechou os olhos. E caindo, virou desamor.
E chamou-se de ódio, inveja, egoísmo e vaidade.
Este também se multiplicou, e o fez de maneira desordenada e irrestrita. Um belo caminho de ilusão foi sendo montado.
O Amor, pouco a pouco, foi sendo esmagado.
E houve contaminação e, assim sendo, nunca mais houve perfeição.

Caminhando nesses passos, chegamos aos tempos atuais, quando já é muito difícil encontrar o Amor.
Há infiltrações de ódio, inveja, egoísmo e vaidade em praticamente tudo que nasce nesse lugar.
Nem mesmo o Amor maior é bem-vindo aqui.
Nem mesmo aquele que, por Amor, multiplicou-se e originou tudo. Aquele que originou tudo tornou-se mal visto.

Hoje em dia, dizem por aí que o Amor não existe.
Dizem que o Amor é possessivo, que é controlador.
Clamam por liberdade, por prazer e justiça, culpando o Amor por toda sorte de desgraças que cultivaram e colheram, pelas escolhas que fizeram e pelas que deixaram de fazer.
Paradoxo maior não há: não seguiram o Amor, não quiseram sentí-lo, por fim, assassinaram o Amor, e, não sendo capazes de conduzirem-se, acusam o Amor de lhes abandonar.
Grande Amor, que nunca exigiu nada em troca de amar... Amor que ama incondicionalmente, sendo isso tudo o que faz.
Foi condenado. O crime que cometeu: amar.

E o Amor, pasmem, ainda teima em amar.
Ainda teima em enxergar Amor onde só existe ódio.
Onde só existe inveja, egoísmo, vaidade.

O Amor existe, pois.
E sempre vai existir, por sobre todas as forças.
Até mesmo nesse lugar, onde o poder maior é feito de papel, ainda há espaço para amar.
Nesse lugar tão avariado, onde nascemos chorando e morremos sangrando, onde a perfeição nunca existirá, ainda há casa para o Amor.

Amor que só queria compartilhar-se conosco.
E mesmo que deturpem sua essência, fazendo-o regulador e tirano, mesmo que o acusem de pedir mais do que pode receber, sempre é tempo de enxergar... o Amor só queria amar.

Esse é o meu Deus.

E eu descobri porque sempre acreditei em céu:
tenho uma mãe que não merece menos que isso.

Hoje é o aniversário dela, a pessoa mais pura que conheço.
Parabéns, dona Guia!!!

Segunda-feira, Agosto 11, 2003

Ré-cifi

Fui marcar presença lá, na prova do TRF.
No sábado, fiquei em Caruaru, na casa de um amigo, e saímos pra Ré-cifi no domingo de manhã.
Não conhecia Caruaru, achei legal a cidade, cheia de out-doors espalhados que diziam "Caruaru, uma das 100 melhores cidades pra se viver segundo a revista Você S.A."
Chegamos em Recife cedo e fomos procurar o local de prova.
Encontramos mais rápido do que imaginávamos.
- "Amigão, a faculdade Universo é aqui mesmo?"
- "É sim, a unidade trêixxxx."

:D :D :D
(Volteeei Ré-cifi, foi a saudade que me trouxe pelo braço, hehehe, é bom estar aqui de novo)

Ficamos no Shopping Ré-cifi até o horário das provas. Pra quem gosta dos shoppings, é o paraíso. O lugar é gigântico. Dá até um começo de síndrome do pânico.
Almoçamos e tomamos rumo da Universo. De cara já vi dois amigos lá, um de Ré-cifi mesmo e outro de Brasília. Mas o tanto de cara conhecida que se vê num concurso desses não é bolinho. O desemprego tá foda mesmo.
Terminei a prova em pouco mais de 2 horas e, enquanto esperava o pessoal, fiquei reparando como o profissional das computações - não confundir com as açõescomputas - é mesmo um bicho que foge de classificação. Você encontra nerds fãs de Star Wars e RPG, encontra os punkinhos com camisas de Offspring e Green Day, patricinhas, engomadinhos, pessoas de preto, gays, lésbicas, simpatizantes, não-simpatizantes, pessoas com cartas de Magic (como é que a pessoa traz cartas de Magic prum concurso?), aficcionados por motocicletas, garotas que parecem ter saído de um mosteiro, velhinhos hackers, vaqueiros, pessoas que carregam o livro de Engenharia de Software, essas são as mais bizarras - ô gente, o Pressman tem quase 500 folhas, trazer o livrão debaixo do suvaco prum concurso, dá não pra mim. E tem pessoas normais também, como eu, hahaha. Normal. Claro, claaaaaaro que sim. (é pra rir, tá!)
Sim, a prova, veja bem, foi super mais ou menos fácil, o problema é que 958 inscritos acharam a mesma coisa.
Modos que não foi dessa vez, Ré-cifi, não foi.

Sexta-feira, Agosto 08, 2003

sonhos, sonhos são

11:30 da noite, esparramado no sofá, vendo TV.
Ver TV me dá sono, mas eu não me entrego tão fácil.
Cochilo, acordo meio lerdo, não entendo como o programa de TV mudou de assunto tão bruscamente, cochilo de novo, acordo, não entendo como o apresentador de TV mudou de corpo tão bruscamente, cochilo, acordo, me dou por vencido.
Vou ao banheiro, escovo os dentes, dez pra meia-noite.
De loooonge, escuto o celular chamando.
Incomum. Saio esbarrando em tudo pra atender...
Checo o número no visor, mas, sonolento, não consigo ler direito.
Atendo mesmo assim... uma voz meio embuluada diz que tava com saudades e pergunta se eu já estava dormindo.
Digo que não e pergunto quem é.
A ligação tava cortando. Pergunto mais uma vez.
Olho no celular de novo, o display tá todo louco.
A voz diz qualquer coisa sem sentido.
O contorno das paredes e dos móveis está meio esvoaçante.
Me dou conta de que estou dormindo.
sonho 1 x 'realidade' 0.
Tento acordar desesperadamente.
A respiração acelera. Tento chutar, bater, correr.
Me debato. Mordo o celular. O grito não sai.
sonho 2 x 'realidade' 0.
O 'eu quero acordaaaar!' reage.
Vou ficando pesado, caindo.
Meu quarto vai ficando cada vez mais definido.
'realidade' 2 x 1.
Começo a sentir o coração bater mais forte.
Finalmente abro os olhos: a 'realidade' empata.
Ganho mais um sonho lúcido pra coleção.

Quinta-feira, Agosto 07, 2003

[Os novos cinemas do Praia shopping]

São bons, bem projetados, mas pequenos - não deve ter nem 100 poltronas ali. Ou seja, chegar na fila em cima da hora significa necessariamente assistir o filme nas primeiras fileiras, e isso significa assistir o filme na vertical, o que não é muito agradável.
Mas eu logo notei que apesar de pequeno, o cineminha é seguro. Tem os extintores dos incêndios e tem aquele nosso amigo, o portão de emergência com barras anti-pânico.

(confesso que só escrevi isso pra ter o pé de perguntar aos povos letrados que visitam essa budega qual a sabedoria por trás das tais barras. E aí, quem é que vai me dizer?)
Sim, mas e o filme? É... na verdade, veja bem, eu tinha intenção de ver o filme do peixinho, mas, por vinte minutos de atraso, empenhei meus 4 reais num filme brazuca: O homem que copiava. Assistam! É um filme delicioso, sobre a nossa geração - e os valores da mesma.
Me lembrou um pouco Amélie Poulain, ali no começo, pela narração em primeira pessoa.
Money... get away! (ei, será que funciona mesmo o negócio de xerocar 50 reais? iaaarrr, iaaarr, iaaaaaarrr >:])
Eu achei o final cagado, meio irreal, mas ainda assim vale o ingresso.
Então é isso, corram, vão ao praia shopping e se pararem na sorveteria, comprem um de menta com chocolate pra mim.